São muitos os aspectos que reforçam a tese de que os ciganos seriam originários da India. Entre esses indícios, estão o domínio das coisas mágicas; o tipo racial; o amplo conhecimento das ciências ocultas; a estrutura idiomática (não podemos esquecer que o romani, a língua falada pelos ciganos, derivaria do sânscrito, uma das 23 línguas oficiais do país). Alguns estudiosos da cultura cigana chegam a associar esse povo nômade a uma antiga casta de feiticeiros da India. Outro ponto em comum diz respeito à prática do casamento entre pessoas do mesmo grupo. Ainda predomina, nos clãs, o costume de os pais prometerem as meninas ciganas em matrimônio, transformando o casamento em mero acerto entre famílias do mesmo clã (ou de clãs diferentes, desde que sejam os noivos pessoas Rom). Até nisso se reproduz, entre os ciganos, o procedimento predominante na sociedade indiana.
Entre os Sintos - uma das etnias ciganas - ainda se mantém o costume de os noivos "fugirem", ou do noivo raptar a noiva, simulando uma paixão que se imporia a tudo e a todos. Na sequência, os protagonistas dessa tradição retornariam, a fim de que se regularize a situação, ou seja, se concretize o casamento.
Outro aspecto relevante é o dote: o dote substitui, na cultura cigana, a importância que tem o amor para nós, gadjós (não-ciganos), no contexto do casamento.
Costuma ser mágica a cerimônia de união de um casal cigano, principalmente se mantida, na íntegra a tradição desse povo. Das roupas à comida, passando pela dança, pelos ornamentos, pela fogueira sagrada, pelos rituais propriamente ditos, tudo é esplendoroso. Um desses rituais consiste em fazer uma pequena incisão nos pulsos dos noivos, com um punhal - um dos símbolos ciganos - para, em seguida, amarrá-los (aos noivos) exatamente na altura dos pulsos, simbolizando, desta forma, a união de duas vidas. Em outro ritual, também provido de muito simbolismo, entrega-se aos noivos uma taça que deve ser arremessada longe, quebrando-se obviamente. Diz a tradição que é melhor que a taça se quebre, a quebrar-se a união dos esposos.
Em clãs que mantêm intacta a tradição, as famílias dos noivos se reúnem na casa (ou na tenda) onde vivem os pais da noiva, e os homens dessas famílias simulam uma negociação envolvendo a compra da jovem que irá se casar. Essa negociação é feita com moedas de ouro. Em seguida, apenas esse grupo de "negociantes" brinda a ocasião com a proska, uma bebida especialmente preparada para o evento, enquanto a festa do casório se inicia. Costuma-se deixar à vista de todos, durante os festejos, uma bandeira vermelha com os nomes dos noivos.
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