quinta-feira, 27 de agosto de 2015

HY- BRASIL I

A elevada espiritualidade e o admirável empenho para manter a tradição, contribuem para envolver o universo cigano numa atmosfera de singularidade e mistério.
Embora nada tenha a ver com esse universo, o texto a seguir trata de um assunto igualmente singular e misterioso, além de lendário e mitológico. Diz respeito a uma ilha, dita fantasma, que o mundo dos gadjós (não-ciganos) escassamente conhece, mas que, aqueles que por um caso tiveram acesso à sua provável existência afirmam terem se rendido à faceta intrigante do desconhecido.
Segundo relatos de alguns navegadores e o trabalho minucioso de muitos cartógrafos, principalmente os dos séculos XIV e XV, existiria, desde tempos imemoriais, uma estranha ilha situada a oeste da Irlanda, cuja principal característica seria sua aparição apenas de sete em sete anos, após um intenso e repentino nevoeiro. Essa ilha, de acordo com os mapas e com as histórias que atravessaram todas as eras, seria a Hy-Brasil. Também chamada Brasil de São Brandão, Ilha Brasil ou Ilha do Brazil.
Existe uma longa discussão em torno desse nome - Brasil - que não cabe aqui reproduzir. O importante é que a essa ilha misteriosa - ou mitológica, como queiram - dever-se-ia o nome desse país-continente em que vivemos, o que colocaria por terra a repetida versão da história oficial de que estaria relacionado à madeira aqui encontrada pelos descobridores, o pau-brasil, que, de tão avermelhada, ao observador parecia estar "em brasa". Ou, "um brasil".
Segundo a lenda, a lendária ilha, bem no meio do "mar oceano", seria o abrigo de uma sociedade de características avançadas - como Atlântida - e de um imenso tesouro, com ouro e prata em abundância. Existe, inclusive, o relato de um daqueles desbravadores do ciclo dos descobrimentos que jurava ter descido à ilha e retornado à sua embarcação com metais preciosos e um ancião nativo.
A se dar um mínimo de credibilidade a essas histórias, é possível acompanhar a existência de sucessivas referências, nos mapas elaborados ao longo dos séculos já citados e um pouco adiante, à Hy-Brasil, sempre naquela região (oeste da Irlanda) e ligada à "tradição de São Brandão das terras afortunadas". Senão, vejamos:
--- mapa da Catalunha, de 1324 ou 1330, de autoria de Angelino Dalorto
--- mapa de Dulcert, de 1339
--- mapa dos irmãos Pizagani, de 1375 ou 1378
--- mapa de Andrea Bianco, de 1436
--- mapa atlântico de Zuane Pizzigano, de 1424
--- mapa anônimo, chamado Weimar, de 1425
--- mapa de Battista Ceccario, de 1435
--- mapa de Bartolomeu Pareto, de 1455
--- mapas de Gracioso Benincasa, de 1479 e 1482
--- mapa de Fernão Vaz Dourado, de 1568


Se você acha que tem mistério de mais, aguarde Hy-Brasil II.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

FILHOS DO VENTO: LUAR, AMOR, MÚSICA E DANÇA

Ciganos são filhos do vento. Nós que nos sentimos como se tivéssemos nascido na kumpanía, e dela falamos com amor, sabemos que eles são assim denominados por sua identificação plena com o sentimento de liberdade, com a mais fluida mobilidade, e com a errância, sempre ao sabor do vento.

Filhos do vento - também sabemos - dominam os conhecimentos magísticos, têm a arte da vidência e o dom da cura. Consideram o elemento espelho como meio adequado para refletir o tempo, a memória ancestral, o saber. 

Filhos do vento, povos das estrelas, irmãos da lua, sabem que a felicidade está no respeito à tradição e no amor à mulher escolhida.

"... um amor que numa noite de lua cheia, ao redor da fogueira sagrada, foi jurado da seguinte forma: a cigana tece um anel com os fios de seu cabelo, e o cigano faz o mesmo; os anéis são banhados no vinho e depois são seguros com a mão direita. O cigano coloca o anel no dedo anular da cigana, e ela faz o mesmo com ele. Beijam-se e juram amor eterno - a partir de então, nada mais conseguirá separá-los. Custe o que custar, acabarão juntos para cumprir o juramento".

Os filhos do vento são festeiros e adoram a música e a dança. Existe a crença, entre os ciganos, de que a cigana exímia dançarina será, também, uma boa esposa. Todos concordam que a dança cigana envolve espiritualidade, unindo "coração, alma e misticismo".

Música e dança na tradição cigana possuem influência hindu, húngara, árabe, espanhola e russa. No entanto, a influência maior é mesmo espanhola - o flamenco. Em relação aos ciganos que vivem no Brasil, observa-se a predominância da música húngara, do violino e do estilo dos kalderash (etnia cigana): a música alegre, ritmada, com acompanhamento das mãos e dos pés. Na dança, o cigano tem a viril leveza, e a cigana tem a inconfundível sensualidade, em frente da fogueira, sob as bênçãos da salamandra.

CIGANOS - ANDARILHOS NA UMBANDA

É consenso entre os umbandistas que os denominados espíritos ciganos, de elevada espiritualidade e correção, representam homens e mulheres daquele povo nômade com bonitas histórias, e que foram andarilhos entre os séculos XIII e XVI.

Nos terreiros de umbanda, são identificados como povo cigano do Oriente. Mas, atenção: é preciso saber fazer a distinção entre os assim denominados "ciganos do Oriente", os conhecidos como "povo do Oriente" e, ainda, os ciganos propriamente ditos (intitulados "ciganos europeus").

Os ciganos do Oriente dedicam-se, especialmente, à cura física e espiritual; são orientadores, acessíveis, caridosos, dedicados e generosos. Costuma-se usar em seus trabalhos licor ou vinho branco, chás de frutas, flores e cristais, entre tantas outras oferendas. Em geral, são regidos pelo tempo (Oyá) e pelo espaço (Oxalá).

Existem as denominadas (e injustamente temidas) linhas de esquerda do povo cigano do Oriente: o Exu Cigano e a Pomba-Gira Cigana. Entre essas últimas, destacam-se: -Zaira; Esmeralda; Rosa Vermelha; Pomba-Gira Cigana das Almas e, principalmente, a Pomba-Gira Cigana da Estrada.

A propósito da última das pombas-giras acima citadas, verifica-se a semelhança de nomes entre duas entidades desse povo. Porém, essa semelhança fica restrita à denominação, por sinal, bastante propícia a que se confunda uma com a outra. Senão, vejamos:
a) cigana Sarita da Estrada - também chamada cigana Sarita dos Caminhos:
- cores vibrantes: laranja, vermelho, verde, vinho, azul turquesa
- maçãs vermelhas
- lua cheia
- rubi/quartzo citrino/ topázio - pedras
- jasmim - perfume
- rosas vermelhas - preferência
- frutas vermelhas
- alecrim - incenso
b) pomba-gira Cigana da Estrada
- amor verdadeiro e limpeza de caminhos
- pulseiras/anéis/perfumes/lenços coloridos - oferendas
- vermelho/ amarelo/ dourado
- trabalhos às segundas e quartas-feiras
- lua cheia - amor
- lua crescente - dinheiro
Guardiã, conduz às estradas (prefere estradas de chão). Desfaz magias leves e pesadas, assim como as encruzilhadas da vida. Eis a relação oferendas/locais onde devem ser deixadas:

0 rosa vermelha - rodovia de terra
0 rosa amarela - rodovia larga
0 almíscar - praças
0 anel dourado - rua larga e aberta
0 velas amarela ou vermelha - cemitérios
0 lenços amarelo ou vermelho - rua beirando rio
0 pulseira dourada - estrada de ferro
0 fitas vermelha ou amarela - caminho de terra 

Ainda no tocante à sua presença nos ambientes da umbanda, os ciganos do Oriente possuem as seguintes particularidades:
- suas pedras preferidas são o rubi e o abalone
- recebem, com satisfação, todas as frutas, desde que sem espinhos
- o mesmo com relação às flores silvestres e, em especial, as rosas
- incenso de predileção: lótus
- todas as velas são bem-vindas

Costuma-se usar nos trabalhos ciganos:
moedas antigas/fitas coloridas/ folha de sândalo/ punhal/ raiz de violeta/ cristais/ lenços coloridos/ folha de tabaco/ tacho de cobre ou prata/ cestas de vime/ pedras coloridas/ areia de rio/ vinhos/ perfumes.

Por último, é importante ficar atento, para o bom relacionamento com os espíritos ciganos, às suas respectivas cores de vibração. Essa cor refere-se ao plano espiritual puramente, mas, independente dela, existe a cor de identificação, que é específica das velas acendidas em seu louvor.

Anote todos essas peculiaridades e... uma boa sorte com o seu - ou a sua - cigano (a) de luz, espírito cigano, espírito de luz, cigano ou cigana de encantamento e de magia. Posto que será, sempre, mãe (pai), irmã (irmão), companhia, companheira (o) e cúmplice.

Optchá!
  

CRISTO: PARA OS CIGANOS, O HOMEM-CARVALHO

Eubiose - ciência da vida. Sabedoria iniciática das idades. E o que ela ensina? Muita coisa, quase 
tudo, sem que nos demos conta de sua importância nas nossas próprias vidas. 

Um desses ensinamentos diz respeito aos ciganos como sendo oriundos dos mundos intra-terrenos:
"... quando o seu Homem-Carvalho vier, eles partirão sem deixar qualquer marca no lago do mundo; 
voltarão para a sua pátria sob as camadas subterrâneas".

Para os ciganos, o carvalho é árvore sagrada. Na verdade, ele é sagrado em todas as tradições ocultas.

Na visão espiritual dos ciganos, Cristo é um Homem-Árvore. Ou, de outra forma, é o grande Kaku da Palestina (na tradição cigana, kaku é o mestre de cura, uma espécie de xamã dotado de extraordinária 
espiritualidade), isto é, um feiticeiro-carvalho.

O contato com o desconhecido, o inexplicável - ou, em uma única palavra, o sobrenatural - parece estar associado, indissoluvelmente, com o seu berço. Os ciganos, romanticamente chamados de povo das estrelas, teriam surgido há mais de 3000 anos, no norte da Índia, região de Gujaratna, na margem direita do rio Send. Sabe-se que os ciganos primitivos fizeram difundir a ideia de que Jesus Cristo seria um Homem-Árvore. Apontavam, em defesa dessa teoria, os seguintes fatos:
- Ele era filho de um carpinteiro
- Ele morreu nos braços de uma árvore, ou seja, no tronco em forma de cruz
- Sua entrada apoteótica em Jerusalém foi acompanhada de milhares de ramos de oliveira, e de palmeiras
- Ele nasceu no solstício de inverno, que corresponde ao carvalho.

Bobagens? Invencionices? Sintomaticamente, existe uma imagem do Cristo Jesus, na Catedral de Notre Dame, em Paris, forrada de folhas de carvalho. Costuma ser intensamente visitada, não ao acaso, mas porque as pessoas saberiam o significado daquela obra milenar.

domingo, 16 de agosto de 2015

A MORTE DE UM CIGANO

Os ciganos choram seus mortos, mas procuram evitar que seu nome seja pronunciado. É que há o temor de que, sendo chamado, o extinto volte à convivência com sua gente. Por outro lado, é preciso deixá-lo se acostumar à sua nova condição de intermediário entre o clã e o astral. Para desapegá-lo mais rapidamente, alguns clãs usam queimar os pertences e objetos de uso pessoal do morto.
De qualquer forma, há a crença generalizada, entre os ciganos, de que o duho (último suspiro) de quem morre continua entre os vivos por mais quarenta dias, visitando pessoas queridas; indo a lugares de que gostava; relembrando tudo o que passou em vida, de bom e de ruim; e, não raro, vingando-se de inimigos. Cumpre, então, garantir ao cigano que fez a passagem o máximo de paz e serenidade para seu espírito; para tanto, deve o clã mostrar-se o mais unido possível e enaltecer os feitos do morto.
No caixão são colocados os objetos mais estimados em vida pelo falecido, e uma moeda para que ele possa pagar ao canoeiro que transportará seu espírito até sua morada final.
Ainda sobre o tema da morte de um cigano, destaca-se um ritual secreto denominado Pomana, realizado alguns dias após o falecimento. Pouco se sabe desse ritual, dado que é secreto, mas é certo que os pratos mais apreciados pelo morto são servidos e seu lugar à mesa é preservado.

O CIGANO CRESCE E CASA

São muitos os aspectos que reforçam a tese de que os ciganos seriam originários da India. Entre esses indícios, estão o domínio das coisas mágicas; o tipo racial; o amplo conhecimento das ciências ocultas; a estrutura idiomática (não podemos esquecer que o romani, a língua falada pelos ciganos, derivaria do sânscrito, uma das 23 línguas oficiais do país). Alguns estudiosos da cultura cigana chegam a associar esse povo nômade a uma antiga casta de feiticeiros da India. Outro ponto em comum diz respeito à prática do casamento entre pessoas do mesmo grupo. Ainda predomina, nos clãs, o costume de os pais prometerem as meninas ciganas em matrimônio, transformando o casamento em mero acerto entre famílias do mesmo clã (ou de clãs diferentes, desde que sejam os noivos pessoas Rom). Até nisso se reproduz, entre os ciganos, o procedimento predominante na sociedade indiana.
Entre os Sintos - uma das etnias ciganas - ainda se mantém o costume de os noivos "fugirem", ou do noivo raptar a noiva, simulando uma paixão que se imporia a tudo e a todos. Na sequência, os protagonistas dessa tradição retornariam, a fim de que se regularize a situação, ou seja, se concretize o casamento.
Outro aspecto relevante é o dote: o dote substitui, na cultura cigana, a importância que tem o amor para nós, gadjós (não-ciganos), no contexto do casamento.
Costuma ser mágica a cerimônia de união de um casal cigano, principalmente se mantida, na íntegra a tradição desse povo. Das roupas à comida, passando pela dança, pelos ornamentos, pela fogueira sagrada, pelos rituais propriamente ditos, tudo é esplendoroso.  Um desses rituais consiste em fazer uma pequena incisão nos pulsos dos noivos, com um punhal - um dos símbolos ciganos - para, em seguida, amarrá-los (aos noivos) exatamente na altura dos pulsos, simbolizando, desta forma, a união de duas vidas. Em outro ritual, também provido de muito simbolismo, entrega-se aos noivos uma taça que deve ser arremessada longe, quebrando-se obviamente. Diz a tradição que é melhor que a taça se quebre, a quebrar-se a união dos esposos.
Em clãs que mantêm intacta a tradição, as famílias dos noivos se reúnem na casa (ou na tenda) onde vivem os pais da noiva, e os homens dessas famílias simulam uma negociação envolvendo a compra da jovem que irá se casar. Essa negociação é feita com moedas de ouro. Em seguida, apenas esse grupo de "negociantes" brinda a ocasião com a proska, uma bebida especialmente preparada para o evento, enquanto a festa do casório se inicia. Costuma-se deixar à vista de todos, durante os festejos, uma bandeira vermelha com os nomes dos noivos. 

terça-feira, 11 de agosto de 2015

NASCE UM (A) CIGANO (A)

A família é sagrada para os ciganos. Como em toda comunidade, o nascimento de um filho é considerado uma dádiva e interpretado como prolongamento de seus pais. E, mais do que isso, da tradição.
Numa visão prática, determinada pelas dificuldades de sobrevivência, uma criança a mais representa, no clã cigano, uma fonte de renda extra. Isso porque, desde cedo, o menino ou a menina passam a contribuir para o sustento da família: ele acompanha o pai nas feiras, e ela aprende a buena dicha (leitura da sorte, pelas mãos, pelas cartas, pelos dados).
O nascimento do primeiro filho dá autoridade e responsabilidade ao pai; quanto à mãe, significa que ela deixa de ser bori (nora) para se tornar mãe. Nessa condição, deixa de estar submetida ao mando e aos caprichos da sogra.
Tem especial significado, entre os ciganos, a primeira mamada do bebê. É quando a mãe tem a oportunidade de soprar, no ouvido da criança, de forma que só elas escutem, o seu nome secreto. Será esse o primeiro ato de cumplicidade entre mãe e filho. Esse nome, a ninguém será dado conhecer a não ser à própria criança, quando já adulta e no dia de seu casamento. Nesse dia, sua mãe lhe revelará. Se, no entanto, ocorrer da mãe morrer antes dessa data, a mulher mais velha do clã o fará. Pode ocorrer, contudo, de a mãe não ter tempo de fazer essa revelação antes da morte: então, esse nome jamais será revelado. Hipótese muito pouco provável é do filho ou filha não casar. Se acontecer, o segredo terá o mesmo destino, ou seja, jamais será contado. 
O nome secreto de toda criança cigana é, contudo, apenas um dos que recebe ao longo da vida. O segundo nome - pelo qual será conhecida no clã - lhe será dado, publicamente, durante o batizado. E ainda, um terceiro nome - pelo qual será conhecido entre os gadjós (não ciganos) - essa criança receberá.
Alguns rituais muito interessante estão associados ao nascimento da criança cigana. Assim é que uma feiticeira (shuvani) ou a mulher mais idosa do clã (baba) apresenta o pequeno ser para a Lua, com os seguintes dizeres: "Lua, luar, tome esse filho e me ajude a criar". Em seguida, ocorre o primeiro banho - o banho da prosperidade - que é dado numa banheira de cobre, com pétalas de rosas brancas, jóias de ouro e gotas de mel. Por fim, a avó do recém-nascido oferece a todos os presentes o "pão das três fadas" para que seu neto tenha sorte, saúde e riquezas.

                                               "... logo que uma criança cigana nasce, o mais velho do clã prepara um pão e um vinho para oferecer às "três fadas do destino", que vêm visitar o recém-nascido no terceiro dia de vida, com o intuito de designar a sua sorte".


                                                                                 extraído da internet, não de um site ou blog                                                                específico, mas do conjunto de informações, com adaptações 
                                                     um tanto romanceadas.

domingo, 9 de agosto de 2015

CIGANIDADES

"KAKU"

Mestre de cura ou xamã cigano, associado ao mito dos "gavalies de la noille", as misteriosas noivas

de fim de noite, com as quais os kakus se encontravam uma única vez e passavam a ter poderes

especiais.

"A EXPRESSÃO CIGANOS, FILHOS DO VENTO..."

... por sua liberdade, sua fluida mobilidade, sua errância, sempre ao sabor do vento.

"LINHA CIGANA"

Denominação que, nos trabalhos de umbanda, designa uma linha espiritual muito antiga - os espíritos

ciganos - identificadas como entidades "encantadas", isto é, andarilhos dos séculos XIII a XVI.

Essas entidades, em geral, agem nos planos da saúde, do amor e do conhecimento, tendo uma

vibração muito próxima à denominada linha do oriente. Trata-se de uma linha autônoma, com

magias que visam a prosperidade, a caridade, o amor, a cura, a quebra de feitiços, a superação de

preconceitos e os bloqueios emocionais.

Os rituais e trabalhos ciganos possuem dia específico - quintas feiras - e devem estar em sintonia

com as fases da lua, além de valer-se de símbolos e objetos adequados.

Em geral, os trabalhos dessa linha são sustentados por:

* OGUM - orixá do ar, ordenador dos caminhos

* EGUNITÁ - o fogo purificador

"CONCEPÇÃO DE FELICIDADE"

Para um cigano, felicidade é ... "um campo aberto, um luar, um violão, uma fogueira, o canto do

sabiá, a magia de uma cigana".

PENTAGRAMA

PENTAGRAMA
(Estrela de cinco pontas)

O pentagrama é um dos símbolos do universo cigano, e um dos principais signos da magia. A 

propósito, o número 5 representa a união dos desiguais: masculino (3), feminino (2), andrógino (5). 

Usa-se a estrela de cinco pontas como talismã, como amuleto, como anteparo à maldade. Cada uma 

de suas pontas está associada a um dos cinco elementos da Natureza, a saber: o ar, o fogo, a água, a 

terra e um espírito que a todos coordena, significando o domínio sobre os demais elementos.

Ainda sobre o pentagrama, especulam os senhores de magia que ele representa a única forma de 

encontro com o "eu" de cada ser (autoconhecimento). E, por alguma razão que ocultistas preferem 

não revelar, a ele estaria vinculado o número áureo -  1,618  - símbolo da harmonia.

REFLEXÕES DE UM CIGANO

REFLEXÕES DE UM CIGANO

"... a água nos benze, a lua nos abençoa, o fogo nos consagra, 
o ar nos liberta, a terra nos transforma".

Não escolha dia, nem local: busque sempre proteção junto ao seu cigano ou sua cigana de luz. Esteja em permanente sintonia com seu cigano guardião ou cigana guardiã. Mentalize a sua imagem, sinta a sua presença, a sua companhia, identifique no horizonte a sua cor de vibração, aspire a sua essência exótica e o seu incenso preferido.
Seja você cigano ou 'gadjó', siga a estrada que lhe convier - certamente será a que lhe estiver destinada. Dela não se afaste, tocado pela energia da entidade que lhe mostrará início, curvas e fim.
Procure em você mesmo e nos que o acompanham o sentido da caminhada. Procure em volta, no mistério da lua, na incerteza do lusco-fusco, na harmonia dos sons. Insista nessa busca, em relação à qual o mais importante é não desanimar. Saiba que a força necessária para cumprir o objetivo pode estar na solidão do silêncio, na emoção da crença, ou, o que é mais provável, no olhar ao mesmo tempo altivo e submisso, ingênuo e sensual, doce e selvagem de uma cigana encantada.
                                                                                                                                                zíngaro

NASRUDIN - UM CONTO SUFISTA

Volta e meia, Nasrudin atravessava a fronteira entre a Pérsia e a Grécia montado no lombo de um burro.
Toda vez passava com dois cestos cheios de palha e voltava sem eles, arrastando-se a pé.
Toda vez o guarda procurava por contrabando. Nunca o encontrou.
- O que você transporta, Nasrudin?
- Sou contrabandista.
Anos mais tarde, com uma aparência cada vez mais próspera, Nasrudim mudou-se para o Egito. Lá, encontrou um daqueles guardas de fronteira.
- Diga-me, Mullá, agora que você está fora da jurisdição grega e persa, instalado aqui, nesta vida boa, o que é que você contrabandeava que nunca conseguimos pegar?
- Burros.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

OS CLÃS CIGANOS

Ciganos vivem em clãs, não em grupos ou tribos. No Brasil - como no resto do mundo - os clãs representam o modo mais eloquente de dizer que a tradição é mantida, sobrevivendo às influências do ambiente externo. Por muitas razões, o nomadismo vem sendo relativizado. As guerras, as dificuldades de sobrevivência, as hostilidades dos não-ciganos são alguns dos fatores que contribuem para a fixação dos clãs a um determinado lugar, onde, inclusive, podem reivindicar condições mínimas de dignidade para viver e educar seus filhos. No Brasil, em particular, a igreja católica é grande parceira nesse esforço pela criação de uma estrutura capaz de minimizar, no universo cigano, o sofrimento, a exclusão e a descaracterização de sua cultura. Pelas mais diversas regiões do mundo, distribuem-se, compondo o que se convencionou chamar de povo cigano, as etnias: a) os ROM - kalderash - lovara - tchuara b)os MANUSH ou SINTI - manush - sinti c)os GITANOS d) os YENISH Do ponto de vista espiritual, os clãs estão divididos segundo as suas inclinações ou suas disposições a atender, socorrer, orientar as pessoas Rom ou os 'gadjós' (não-ciganos): * clã dos ciganos dourados - também conhecidos pela denominação de clã dos ciganos de luz * clã das ciganas do amor * clã dos ciganos encantados * clã dos ciganos de cura * clã dos ciganos andarilhos * clã dos ciganos protetores, por sua vez divididos em: - clã dos ciganos guardiões - clã dos ciganos tuaregues - clã dos ciganos beduínos Sobre os ciganos protetores, algumas peculiaridades devem ser anotadas, principalmente pelos não-ciganos que a eles queiram recorrer: * a essência do clã dos ciganos protetores está em desfazer magias negativas; com essa finalidade, os ciganos guardiões usam o punhal e caracterizam-se por promover forte proteção espiritual; os ciganos tuaregues, também chamados de ciganos do deserto, usam a espada e túnicas negras para realizar seus propósitos; finalmente, os ciganos beduínos, que também usam a espada e túnicas marrons, atuam diretamente na vida do indivíduo, desfazendo magias e feitiços.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

AMOR CIGANO

Porque nasci cigano e você gadjó (não-cigana), não significa que não possamos nos amar. Como o caos não significa o fim. Assim como ninguém demonstra ser corajoso na manhã luminosa, e sim na noite coberta de sombras, nenhum amor é posto à prova na ardência da paixão, mas nas trevas do desencanto. Nossa história, que é a de um amor improvável, é feita de coragem e teimosia, de incerteza e permanência. Somos a pureza que habita o desejo; o pecado que corrói a inocência; a ternura que aniquila a indiferença. Somos o vazio que precede a totalidade. É como se, ao mesmo tempo, pudéssemos ouvir o silêncio da clausura e silenciar o gemido da caverna. zíngaro

SÍMBOLOS E SIGNIFICADOS CIGANOS

BANDEIRA CIGANA - a roda da carroça, com 16 aros RODA - ciclo nascer/morrer ESTRELA DE SEIS PONTAS - proteção ESTRELA DE CINCO PONTAS - evolução CORUJA - ver a totalidade CHAVE - soluções MOEDA - prosperidade PUNHAL - poder TAÇA - união TREVO - sorte LUA - lua cheia, lua madrinha LENÇO - "dalto chucar diklô" "te darei um lindo lenço" FALAR DO POVO CIGANO É FALAR DA ALMA. E SÓ QUEM TEM ALMA CIGANA ENTENDE ESSA LINGUAGEM

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

ORIGEM CIGANA

ORIGEM CIGANA "ciganos sem escrita, ciganos sem história povo errante, itinerante, a diáspora, o 'baji' ciganos, são ele próprios a sua história" zíngaro "... sim, os filhos do vento não criaram qualquer mito, pois eles são, em si mesmos, o enigma e o mito; eles têm passado como o vento sobre as coisas deste mundo - eles, as pessoas Rom, não são deste mundo" revista graal - 1992, março È IMPRECISA, SENÃO DESCONHECIDA, A ORIGEM DOS CIGANOS. VIERAM DO EGITO? DA ÍNDIA? SUAS CARACTERÍSTICAS SÃO DE UMA PARTE; SUA LÍNGUA, DE OUTRA. "Nos primórdios dos tempos, existiu - ou teria existido - um povo que vivia nas profundezas da Terra. Ali perambulavam, quase sem vida, privados da luz, das maravilhas da Natureza e, sobretudo, da liberdade. Assim viveu esse povo por séculos e séculos. Até que, um dia, um deles, ao acaso, viu-se diante de uma estreita e nunca antes notada passagem, que, segundo se descobriu, conduzia à superfície. E lá, por mera curiosidade, ele chegou, entre assustado e deslumbrado. Os primeiros instantes de contato com aquela realidade foram de profundo encantamento: os campos, a perder de vista; as montanhas, que pareciam tocar o céu; os pássaros, que o pareciam saudar; a luz do sol, que por pouco não o cegava; as nuvens, que corriam do sol; o ribeirão, onde se depositava, dengosa, a brisa. No entanto, ao mesmo tempo em que tudo isso lhe trazia felicidade, estranhamente também provocava uma sufocante melancolia: sentia como que um abandono, uma sensação de culpa, uma enorme necessidade de voltar para o seu povo. Por isso, procurou a saída por onde chegara e dela fez a entrada por onde regressava. De volta ao seu mundo, apressou-se em contar tudo o que vira e a experiência que vivera. Recebeu, dos anciãos, a mais dura reprovação. Foi confinado por algum tempo e proibido de repetir a aventura. O tempo passou, e com ele o desejo de sua gente de conhecer o mundo de luz, de liberdade, de horizontes quase infinitos. E essa vontade foi num crescendo, até que os mais ousados se dirigiram a seu Deus: - Senhor, permiti que nossos olhos vejam a luz, que nossos rostos sintam o vento, que nossa alma se alegre com a imensidão dos campos. Um Deus generoso lhes respondeu: - Está bem, eu lhes concedo essa graça. Mas sob determinadas condições: os que se forem não possuirão terras, nem poder. Em compensação, terão o dom da adivinhação e a obrigação de orientar e proteger espiritualmente os seus irmãos". zíngaro (adaptado e romanceado, da tradição cigana) ASSIM SE CONTA O SURGIMENTO DO POVO CIGANO NA TERRA

poesia cigana

"Envelheci na estrada Não encontrei o verdadeiro amor Não ouvi a palavra justa A verdade cigana, onde está?" Rasim Sejdia "... estradas, caravanas, cavalos passam através dos campos, areias, florestas". Leksa Manush

UNIVERSO CIGANO

UNIVERSO CIGANO zíngaro Ciganos são de luz são filhos do vento, da lua e das estrelas Ciganos só conhecem um poder: o da magia Um destino: a liberdade Um compromisso: a tradição

LUA MADRINHA NO CÉU MÍSTICO

LUA MADRINHA NO CÉU MÍSTICO Dela, eu recebo luz. E energia. E bênçãos Dela, se desprendem romances. E traições. E desejos. Por meio dela, toca-se o divino Junto a ela, compreende-se o infinito. OS CAMINHOS QUE ESTE BLOG SEGUE SÃO OS ESPIRITUAIS. AQUI, OS DEUSES CAMINHAM JUNTO COM A NOSSA CRENÇA. COMO DIZEM OS FILHOS DO VENTO, ONDE A LUA É MADRINHA, OS SENTIMENTOS SÃO PUROS, OS CORAÇÕES AMOROSOS E AS MENTES ILUMINADAS. NA ESTRADA PELA QUAL SEGUIMOS, HÁ TEMPO PARA A IMPLORAÇÃO, PARA A OFERENDA, PARA A GRATIDÃO. MAS HÁ, SOBRETUDO, PARA O APRENDIZADO. NA ERRÂNCIA DO TEMPO, TEMOS MAIS FÉ QUE DEVOÇÃO, MAIS ESPIRITUALIDADE DO QUE RELIGIÃO, MAIS CONHECIMENTO DO QUE MISTÉRIO, MAIS FILOSOFIA DO QUE DOUTRINA. DISCÍPULOS DO UNIVERSO, APRENDEMOS A SER NÓS MESMOS- A SER, EM TODOS OS MOMENTOS, QUEM SOMOS.