quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A COR DO AMOR

A cigana Samara vive com seu clã e conserva a tradição em seu coração e em suas atitudes. Não obstante, ela tem inúmeros amigos 'gadjós' (não-ciganos), frequenta a escola da cidade encostada à qual ela vive e pretende ser historiadora. Samara tem a beleza na pele, nos olhos, no sorriso, no seu interior e naquilo que escreve.

"Volto a enxergar, pelos teus olhos, o quanto de azul existe no amor.
As pessoas falam do amor - como também do desamor - segundo suas experiências. Parece que no amor existem sons, aromas e cor. Do amor, quero crer, dizem melhor as cores que os sabores; as sombras que a claridade; o silêncio que as palavras.
Não são todas as cores que cabem no amor. O cinza, por exemplo, só cabe no desamor. O vermelho é paixão, mas também é raiva. Mesmo assim, cabe. O amarelo é sol, mas também é cobiça. Fica a pergunta: cabe ou não cabe? O verde é esperança, mas pode ser a cor do quartel. Cabe? O branco é paz, e também é nada.
Se há os que amaram a vida inteira, também há os que esqueceram a forma, o cheiro, a cor do amor.Eu sou um desses. Ou melhor, era. Descobri que para quem reencontra o amor, a única cor que nele cabe é a cor dos olhos da amada. Ou seja, além do céu, do mar, de uma certa lua, pelo menos para mim o amor é azul. A cor dos seus olhos. Ao contemplá-los, bem lá no fundo, fico com a impressão de que as coisas são azuis, os sentimentos são azuis, o mundo - o nosso mundo - é azul.