sexta-feira, 21 de agosto de 2015

FILHOS DO VENTO: LUAR, AMOR, MÚSICA E DANÇA

Ciganos são filhos do vento. Nós que nos sentimos como se tivéssemos nascido na kumpanía, e dela falamos com amor, sabemos que eles são assim denominados por sua identificação plena com o sentimento de liberdade, com a mais fluida mobilidade, e com a errância, sempre ao sabor do vento.

Filhos do vento - também sabemos - dominam os conhecimentos magísticos, têm a arte da vidência e o dom da cura. Consideram o elemento espelho como meio adequado para refletir o tempo, a memória ancestral, o saber. 

Filhos do vento, povos das estrelas, irmãos da lua, sabem que a felicidade está no respeito à tradição e no amor à mulher escolhida.

"... um amor que numa noite de lua cheia, ao redor da fogueira sagrada, foi jurado da seguinte forma: a cigana tece um anel com os fios de seu cabelo, e o cigano faz o mesmo; os anéis são banhados no vinho e depois são seguros com a mão direita. O cigano coloca o anel no dedo anular da cigana, e ela faz o mesmo com ele. Beijam-se e juram amor eterno - a partir de então, nada mais conseguirá separá-los. Custe o que custar, acabarão juntos para cumprir o juramento".

Os filhos do vento são festeiros e adoram a música e a dança. Existe a crença, entre os ciganos, de que a cigana exímia dançarina será, também, uma boa esposa. Todos concordam que a dança cigana envolve espiritualidade, unindo "coração, alma e misticismo".

Música e dança na tradição cigana possuem influência hindu, húngara, árabe, espanhola e russa. No entanto, a influência maior é mesmo espanhola - o flamenco. Em relação aos ciganos que vivem no Brasil, observa-se a predominância da música húngara, do violino e do estilo dos kalderash (etnia cigana): a música alegre, ritmada, com acompanhamento das mãos e dos pés. Na dança, o cigano tem a viril leveza, e a cigana tem a inconfundível sensualidade, em frente da fogueira, sob as bênçãos da salamandra.

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