Os ciganos choram seus mortos, mas procuram evitar que seu nome seja pronunciado. É que há o temor de que, sendo chamado, o extinto volte à convivência com sua gente. Por outro lado, é preciso deixá-lo se acostumar à sua nova condição de intermediário entre o clã e o astral. Para desapegá-lo mais rapidamente, alguns clãs usam queimar os pertences e objetos de uso pessoal do morto.
De qualquer forma, há a crença generalizada, entre os ciganos, de que o duho (último suspiro) de quem morre continua entre os vivos por mais quarenta dias, visitando pessoas queridas; indo a lugares de que gostava; relembrando tudo o que passou em vida, de bom e de ruim; e, não raro, vingando-se de inimigos. Cumpre, então, garantir ao cigano que fez a passagem o máximo de paz e serenidade para seu espírito; para tanto, deve o clã mostrar-se o mais unido possível e enaltecer os feitos do morto.
No caixão são colocados os objetos mais estimados em vida pelo falecido, e uma moeda para que ele possa pagar ao canoeiro que transportará seu espírito até sua morada final.
Ainda sobre o tema da morte de um cigano, destaca-se um ritual secreto denominado Pomana, realizado alguns dias após o falecimento. Pouco se sabe desse ritual, dado que é secreto, mas é certo que os pratos mais apreciados pelo morto são servidos e seu lugar à mesa é preservado.
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