quinta-feira, 12 de novembro de 2015

CIGANOS NA UMBANDA

Nômades muito mais por necessidade do que por natureza, os ciganos, em sua esmagadora maioria, sofrem privações e um cruel processo de exclusão. Além de não serem aceitos na sociedade, os mais elementares direitos lhes são frequentemente negados.
Como as contradições são, curiosamente, uma das características da natureza humana e do contexto social, uma parte daqueles que não toleram os Rom recorrem às ciganas para conhecer o próprio futuro ou para recuperar o amor fugitivo. E, claro, para superar as doenças e esconjurar a pobreza. Quer dizer, a mesma pessoa que não é digna de seu bom dia, eles e elas procuram, no lusco-fusco, para trazer de volta a saúde ou o afeto.
Por trás desse modo incoerente de enxergar os ciganos, está o reconhecimento da acentuada espiritualidade de que são dotados; há a crença na força espiritual e nos poderes dos filhos do vento (e da lua, das estrelas...). Há, também, a confiança na eficácia dos potes e encantamentos, das simpatias e dos feitiços.
Pessoas estudiosas das manifestações espirituais afirmam que os ciganos, ao longo do tempo e no conjunto das opções religiosas, demonstraram profunda identificação com a doutrina umbandística. Talvez porque umbanda seja, reconhecidamente, amor e caridade. E esses são preceitos muito caros ao povo cigano, intensamente valorizados no cotidiano das relações sociais. No entender dos umbandistas, os espíritos ciganos que comparecem aos terreiros seriam trabalhadores do plano espiritual a serviço dos necessitados, e em busca de desenvolver-se na linha da solidariedade, do apoio e da justiça. Seria então a umbanda, o espaço encontrado por essas entidades para praticar o bem e aliviar os sofrimentos.
Aprofundando-se um pouco no universo da umbanda, descobre-se que esses trabalhadores tanto podem se manifestar na chamada "linha da direita" quanto na pouco compreendida "linha da esquerda". Ou seja, através dos ciganos e ciganas já desencarnados e que, em vida, geralmente foram andarilhos ali pelos séculos XIII a XVI, e através dos injustamente discriminados exus e pombas-giras - exus ciganos e pombas-giras ciganas.
Conhecedores dos ritos umbandistas sabem que essas entidades - genericamente chamadas de "povo da rua" - não representam o mal, muito pelo contrário, e estão muito mais próximas de nós, encarnados, por atenderem, com mais vigor e determinação, nossos anseios, nossas necessidades, nossas aflições, em relação à vida emocional, às questões do amor e à felicidade. A pomba-gira seria, por excelência, geradora do desejo e da afeição; guardiã e não propriamente protetora - no que esses conceitos diferem no plano espiritual.
Entre as diversas entidades identificadas como pombas-giras ciganas gostaríamos de, emblematicamente, destacar a Pomba Gira Cigana da Estrada (às vezes confundida com a Pomba Gira Sarita da Estrada):
_ é entidade guardiã que vem da linha da cigana, e cruzada com a Estrada; desfaz as encruzilhadas da vida;
_ atua através da denominada "magia cigana" - tanto a magia leve quanto a pesada; é uma verdadeira feiticeira;
_ prefere receber oferendas em estrada de chão; fica particularmente agradecida e feliz com uma ou algumas dessas homenagens:
* incensos bem agradáveis
* velas nas seguintes cores: branco, preto/vermelho, rosa, vermelho, amarelo
* maçãs (verdes ou vermelhas)
* uva
*vinho suave
*brincos e colares
*perfumes
*7 cigarros
Preferencialmente as oferendas devem ser feitas nos dia 07/14/21 e em um desses horários: 00:00h/12:00 h/18:00 h.